Durante o Outubro Rosa, a recomendação para que as mulheres conheçam o próprio corpo e estejam atentas a alterações nas mamas se repete em campanhas, redes sociais e unidades de saúde. Mas existe uma pergunta que nem sempre recebe uma resposta suficientemente clara: o que fazer quando uma alteração realmente aparece?
Encontrar um caroço, perceber uma mudança na pele ou notar alguma alteração no mamilo não significa automaticamente que exista um câncer. Muitas alterações mamárias são benignas. Por outro lado, qualquer mudança persistente ou que não seja habitual deve ser avaliada por um profissional de saúde.
A primeira orientação é não entrar em pânico e também não ignorar o sinal.
Nem todo nódulo é câncer
As mamas podem apresentar diferentes alterações ao longo da vida. Nódulos benignos, cistos e outras condições podem provocar mudanças que assustam a mulher, mas não necessariamente representam uma doença maligna.
O problema é que não é possível determinar apenas pelo toque se um nódulo é benigno ou suspeito.
É por isso que a avaliação profissional é importante.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- nódulo endurecido ou alteração persistente na mama;
- mudança no formato ou tamanho de uma das mamas;
- alterações na pele, como retrações ou aspecto semelhante à casca de laranja;
- mudança recente no mamilo;
- saída espontânea de líquido pelo mamilo, especialmente quando ocorre de forma persistente;
- aumento ou alteração persistente dos gânglios na região da axila.
Esses sinais não significam necessariamente câncer. Eles indicam que é preciso investigar a causa.
O primeiro passo é procurar atendimento
No Sistema Único de Saúde, a atenção primária funciona como uma das principais portas de entrada para esse tipo de avaliação.
A mulher pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e relatar a alteração percebida.
Durante o atendimento, o profissional poderá realizar uma avaliação clínica e decidir se é necessário solicitar exames ou encaminhar a paciente para outro serviço.
Essa etapa é importante porque nem toda mulher que percebe um caroço precisa seguir exatamente o mesmo caminho diagnóstico.
A idade, o histórico familiar, os sintomas, características da alteração e outros fatores podem influenciar a investigação.
Mamografia não é o único exame
Quando se fala em câncer de mama, a mamografia costuma ser o exame mais conhecido. Mas ela não é necessariamente o único recurso utilizado na investigação.
Dependendo da situação, o profissional pode solicitar ultrassonografia das mamas, mamografia diagnóstica ou outros exames.
A ultrassonografia, por exemplo, pode ser utilizada para complementar a avaliação de determinadas alterações, especialmente quando existe um nódulo que precisa ser caracterizado.
Em alguns casos, pode ser necessária uma biópsia.
Nesse procedimento, uma pequena amostra do tecido é retirada para análise laboratorial. É esse tipo de exame que pode confirmar ou descartar a presença de células cancerígenas quando existe uma suspeita.
Investigação é diferente de rastreamento
Essa diferença é fundamental e costuma gerar confusão.
Rastreamento significa realizar exames em pessoas que não apresentam sinais ou sintomas, com o objetivo de detectar precocemente uma doença.
Já uma mulher que encontrou um nódulo ou percebeu uma alteração está diante de uma situação que precisa de investigação diagnóstica.
São estratégias diferentes.
O Ministério da Saúde recomenda atualmente o rastreamento mamográfico de rotina para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos, enquanto situações individuais podem exigir avaliação médica fora dessa faixa. (gov.br)
Portanto, uma mulher que percebe uma alteração não deve pensar: “ainda não tenho idade para a mamografia, então não preciso procurar atendimento”.
E se a mulher tiver menos de 50 anos?
A idade recomendada para rastreamento populacional não significa que mulheres mais jovens estejam livres da doença ou que alterações devam ser ignoradas.
Se houver um sinal suspeito, a avaliação pode ser necessária independentemente da idade.
É justamente por isso que a orientação médica individual continua importante.
Mulheres com histórico familiar significativo ou outros fatores que aumentem o risco também podem receber recomendações diferentes das aplicadas à população geral.
O histórico familiar merece atenção
Ter parentes próximos com câncer de mama pode ser um fator relevante na avaliação do risco.
Isso não significa que uma mulher com histórico familiar necessariamente desenvolverá a doença. Entretanto, informações como quem teve câncer, qual era a idade no diagnóstico e se existem vários casos na família podem ajudar o profissional a identificar situações que mereçam investigação diferenciada.
Em determinados casos, pode ser indicado acompanhamento especializado ou avaliação genética.
Por isso, conhecer o histórico de saúde da família pode ser útil não apenas para o câncer de mama, mas para a avaliação geral de saúde.
O que fazer no Distrito Federal?
Para quem utiliza o SUS no Distrito Federal, o primeiro caminho pode ser procurar a rede de atenção primária.
A Secretaria de Saúde do DF disponibiliza atendimento pelas unidades básicas, que podem realizar avaliação clínica, solicitar exames dentro dos protocolos e fazer encaminhamentos quando necessários.
A rede especializada entra em cena de acordo com a necessidade identificada durante a investigação.
Isso significa que a paciente não precisa descobrir sozinha qual exame deve fazer ou procurar diretamente um serviço especializado sem orientação.
O caminho começa pela avaliação.
Não espere o próximo Outubro Rosa
Uma das principais mensagens que precisam sobreviver ao mês de outubro é justamente essa.
Campanhas de conscientização ajudam a chamar atenção para a doença, mas um sintoma não precisa esperar uma campanha para ser investigado.
Se uma mulher percebe uma alteração persistente, o mais adequado é procurar orientação profissional.
Ao mesmo tempo, é importante evitar o excesso de ansiedade provocado por pesquisas na internet. Encontrar um nódulo não significa automaticamente receber um diagnóstico de câncer.
O caminho correto é sair da dúvida por meio de uma avaliação adequada.
O Outubro Rosa pode servir como lembrete, mas o cuidado com a saúde das mamas não deveria ficar restrito a um único mês do ano.
Comunicação DF News