A inteligência artificial já faz parte da rotina de muitos estudantes brasileiros. Ferramentas capazes de responder perguntas, produzir textos e auxiliar em pesquisas estão a poucos cliques de distância. O problema é que a velocidade com que a tecnologia chegou às salas de aula não foi acompanhada pelo mesmo ritmo de preparação das escolas.
Dados da pesquisa TIC Educação 2025 mostram que apenas 37% das escolas permitem que estudantes utilizem ferramentas de inteligência artificial em atividades educacionais. O percentual é maior entre escolas estaduais e menor entre instituições particulares.
Outro dado chama atenção: somente 22% dos gestores entrevistados afirmaram que suas escolas já possuem um guia de orientação sobre o uso de inteligência artificial pelos alunos.
Isso revela um dos principais desafios atuais da educação: não se trata mais de simplesmente decidir se o aluno pode ou não usar IA. É preciso ensinar como utilizar a ferramenta sem transformar a tecnologia em substituta do aprendizado.
IA pode ajudar, mas também pode atrapalhar
Uma ferramenta de inteligência artificial pode auxiliar um estudante a compreender determinado assunto, encontrar novas formas de estudar ou organizar uma pesquisa.
Mas existe uma diferença importante entre usar a tecnologia para aprender e simplesmente entregar à ferramenta uma tarefa que deveria ser realizada pelo próprio aluno.
Uma pesquisa recente envolvendo cerca de 25 mil estudantes encontrou queda no desempenho em avaliações entre alunos que utilizaram IA de determinadas maneiras, levantando novamente o debate sobre os efeitos da tecnologia sobre o processo de aprendizagem.
O desafio, portanto, não é simplesmente proibir.
A escola precisa preparar o aluno para o mundo digital
A própria pesquisa TIC Educação mostra que as escolas estão ampliando o debate sobre educação midiática. Cerca de 65% realizaram projetos relacionados ao uso crítico e consciente das mídias e tecnologias digitais.
Ainda há, porém, obstáculos como falta de materiais, tempo e participação das famílias.
Para especialistas, o caminho passa por ensinar o estudante a questionar as respostas produzidas pela IA, verificar informações e desenvolver seu próprio raciocínio.
No Distrito Federal, o debate também merece atenção. Afinal, estudantes da rede pública e particular já têm contato com essas ferramentas, independentemente de a escola ter ou não uma política formal sobre o assunto.
A pergunta que fica é simples: se a inteligência artificial já chegou às mãos dos estudantes, a escola está preparada para ensinar como utilizá-la de maneira responsável?
Comunicação DF News