Quem mora em Brasília sabe que a relação da cidade com o transporte público é, no mínimo, complicada. De um lado, uma das frotas de ônibus mais numerosas do Centro-Oeste. Do outro, um metrô que nunca cresceu o suficiente, um trânsito que sufoca nas horas de pico e a cultura do carro individual que parece resistir a qualquer política pública.
Mas 2025 e o
início de 2026 trouxeram novidades que merecem atenção. O sistema de mobilidade
urbana do Distrito Federal avançou em vários fronts — e há projetos importantes
no horizonte. Vamos ao balanço.
O que melhorou
O programa
Vai de Graça, instituído pelo governador Ibaneis Rocha em fevereiro de 2025, é
a mudança mais visível para o bolso do usuário. Desde março do ano passado,
ônibus, metrô, BRT e Zebrinhas são totalmente gratuitos aos domingos e em todos
os feriados nacionais e distritais — incluindo o 21 de abril. Para garantir o
acesso gratuito, o passageiro precisa apenas apresentar qualquer modalidade de
cartão de mobilidade na catraca.
Em 2025, o
DF também recebeu 343 novos ônibus, chegando a uma frota total de 3.063
veículos em circulação. Foram construídos 654 novos abrigos em paradas de
ônibus em 17 regiões administrativas, e outros dois mil abrigos de concreto
começaram a ser implantados. A Rodoviária do Gama, que recebe cerca de 30 mil
pessoas por dia, passou por modernização completa com cobertura ventilada e
acessibilidade universal. A tecnologia também chegou ao cotidiano do
passageiro: o aplicativo DF no Ponto e QR Codes nas paradas permitem acompanhar
os coletivos em tempo real.
O BRT: promessa que virou rotina
Inaugurado
em 2014, o BRT Expresso DF conecta o Plano Piloto a regiões como o Gama e Santa
Maria por corredores exclusivos. Com cerca de 45 km de extensão, o sistema
transporta aproximadamente 220 mil passageiros por dia e reduziu o tempo de
viagem entre essas regiões de 90 minutos para cerca de 40 minutos. É uma das
referências positivas do transporte no DF.
Mas o BRT
também tem seus gargalos. Nas horas de pico, a lotação dos veículos e os
atrasos são motivo constante de reclamação entre os usuários.
O metrô que não cresceu
O ponto mais
sensível do transporte público brasiliense continua sendo o Metrô-DF. A malha
metroviária tem pouco mais de 40 km de extensão e 24 estações, atendendo
principalmente o corredor Ceilândia-Taguatinga-Plano Piloto. Para uma cidade
com mais de 3 milhões de habitantes e dezenas de regiões administrativas, o
metrô é claramente insuficiente. A ampliação da rede é uma promessa recorrente
em campanhas eleitorais, mas os avanços concretos são lentos.
O que vem por aí
Entre os
projetos que estão no radar do GDF, destaque para o VLT (Veículo Leve sobre
Trilhos), que ligaria Brasília a Luziânia, cidade do Entorno. A proposta está
em fase de análise técnica, econômica e ambiental, com previsão de audiência
pública antes da fase de licitação. Quando concretizado, o VLT pode transformar
a mobilidade na região metropolitana, oferecendo uma alternativa mais rápida e
sustentável para quem faz o trajeto diariamente.
O problema estrutural que não muda
Por mais que
as melhorias sejam bem-vindas, os especialistas em mobilidade apontam um
problema que vai além das obras: a cultura do automóvel em Brasília é profunda.
Enquanto o transporte público não oferecer frequência, conforto e pontualidade
suficientes para competir com o carro — especialmente nas cidades satélites
mais distantes —, a migração de usuários para o coletivo será lenta. O caminho
está sendo traçado. Mas ainda há muito chão pela frente.
Comunicação DF News
