Para muita gente, a Universidade de Brasília é aquele conjunto imponente de prédios no campus Darcy Ribeiro, lá entre a Asa Norte e o Lago Paranoá. Um mundo paralelo de acadêmicos, estudantes e laboratórios que parece distante da vida cotidiana de quem mora em Ceilândia, no Recanto das Emas ou em Planaltina. Mas essa percepção não poderia estar mais equivocada.
A UnB é, há
décadas, uma das instituições que mais influenciam a realidade concreta do
Distrito Federal e de seu entorno. Não apenas pela formação de médicos,
engenheiros, professores e servidores públicos, mas por meio de pesquisas
aplicadas, projetos de extensão e parcerias com a comunidade que chegam onde o
Estado muitas vezes não chega. Conhecer esse trabalho é também reconhecer o que
a universidade pública representa para a cidade.
Saúde nas ruas: pesquisa que chega até quem vive sem endereço
Um dos
projetos mais emblemáticos dos últimos anos foi desenvolvido pela professora
Andrea Gallassi, da Faculdade de Ceilândia. Desde 2012, a pesquisadora lidera
uma iniciativa de saúde voltada à população em situação de rua em Brasília. Com
financiamento do National Institute on Health — o maior financiador de
pesquisas em saúde do mundo —, a equipe realizou pesquisa com mais de mil
pessoas em situação de vulnerabilidade extrema, aplicando questionários sobre
saúde mental, transtornos por uso de substâncias e realizando testagem para
HIV.
O projeto
não trata essas pessoas apenas como objetos de estudo: o objetivo declarado é
entender e levantar suas necessidades reais de saúde, e a partir daí, construir
formas de levar acesso efetivo a serviços. O trabalho foi reconhecido com o
Prêmio Anísio Teixeira de Direitos Humanos da própria UnB em 2025. É ciência
que se traduz em presença humana onde ela é mais necessária.
Da universidade à rua: extensão que transforma comunidades
Além das
pesquisas, os projetos de extensão da UnB conectam diretamente a academia à
comunidade brasiliense. No edital PIBEX 2025, foram aprovadas dezenas de
iniciativas com impacto local direto: o projeto Escola Cidadã, que realiza
intervenções socioeducativas para fortalecer a rede de proteção de crianças e
adolescentes contra a violência; o programa de diagnóstico veterinário gratuito
para animais domésticos de proprietários de baixa renda do DF e entorno; e a
iniciativa que promove o uso racional de plantas medicinais em comunidades do
Parque Olhos d'Água.
Há também o
programa Vidas Recicladas, que apoia cooperativas de catadores de resíduos
sólidos no DF, conectando o universo acadêmico às demandas reais de
trabalhadores invisibilizados pela economia formal. E o projeto BIOGAMA, que
coleta óleo de fritura usado na comunidade do Gama para reaproveitamento e
conscientização ambiental.
Tecnologia e inovação a serviço do brasiliense
A Faculdade
de Tecnologia da UnB tem se destacado por pesquisas aplicadas com impacto
social direto. Um equipamento desenvolvido por equipe multidisciplinar da
universidade ganhou notoriedade durante a pandemia de Covid-19 e hoje é
utilizado por profissionais da saúde. Na área ambiental, uma iniciativa em
parceria com a Alemanha articula pesquisa aplicada e inclusão de catadores para
enfrentar a poluição por plásticos e aprimorar a gestão de resíduos no DF.
No campo da
inovação, o Parque Científico e Tecnológico da UnB (PCTec) funciona como ponte
entre a pesquisa universitária e o ecossistema de empreendedorismo local,
abrigando startups e projetos de base tecnológica que nascem dentro da própria
universidade. A UnB também firmou parceria com a Fundação Banco do Brasil para
apoiar o desenvolvimento de tecnologias sociais voltadas a comunidades em
situação de vulnerabilidade — reconhecendo que inovação, quando bem
direcionada, é também ferramenta de justiça social.
A UnB como espelho da cidade
Fundada em
1962 por Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, a UnB nasceu com uma proposta
diferente das universidades tradicionais: ser uma instituição integrada,
interdisciplinar e comprometida com o desenvolvimento do país a partir do
interior. Mais de seis décadas depois, esse projeto segue vivo — especialmente
nos projetos que saem dos laboratórios e chegam às ruas, às escolas, às feiras
e às comunidades do DF.
Reconhecer e
dar visibilidade a esse trabalho é uma forma de fortalecer o vínculo entre a
universidade e a cidade que a abriga. A UnB não é apenas uma instituição de
ensino: é uma das principais ferramentas coletivas que Brasília tem para
construir um futuro mais justo e informado. E o brasiliense merece saber o que
está sendo feito em seu nome — e em seu benefício.
Comunicação DF News
