O café, uma das bebidas mais consumidas do mundo, passa por diversas etapas de avaliação antes de chegar à xícara do consumidor. Sua classificação é essencial para garantir a qualidade, valor de mercado e destinação ideal — seja para exportação, consumo interno ou indústria. No Brasil, maior produtor mundial, os cafés são classificados segundo critérios que envolvem aspectos físicos e sensoriais, como tipo, bebida, cor, peneira e torra.
A classificação por tipo refere-se à quantidade de defeitos encontrados em uma amostra de 300 gramas de grãos crus. Esses defeitos podem ser grãos quebrados, pretos, verdes ou a presença de impurezas. Quanto menor a quantidade de defeitos, melhor o tipo — o Tipo 2, por exemplo, é considerado de altíssima qualidade, com até 4 defeitos. Já cafés com mais de 360 defeitos são classificados como de qualidade inferior, usados geralmente na indústria.
O critério de bebida avalia as características sensoriais do café após a torra, como aroma, sabor e acidez. Essa análise é feita por provadores especializados e vai do "estritamente mole" (excelente bebida) ao "rio" e "riozona", considerados de sabor forte e inferior, muitas vezes com gosto salgado ou fenólico. Essa classificação é essencial para determinar os cafés gourmet, especiais e os destinados ao mercado comum.Outro fator relevante é a peneira, que classifica os grãos de acordo com seu tamanho. Grãos maiores, como os da peneira 17 ou 18, costumam ser mais valorizados, pois indicam uniformidade e melhor aproveitamento na torra. No entanto, o tamanho não está diretamente ligado à qualidade da bebida, mas sim à padronização do lote. Já a cor do grão indica sua maturação e qualidade do processamento — grãos verdes ou pretos são considerados defeituosos.
Por fim, o mercado de cafés especiais utiliza padrões internacionais como os da SCA (Specialty Coffee Association), que atribui uma nota de 0 a 100 para o café, com base em critérios como fragrância, doçura, corpo e uniformidade. Cafés que atingem nota acima de 80 pontos são considerados especiais e têm alto valor agregado. Entender essas classificações ajuda o consumidor a escolher melhor seu café e valorizar todo o processo envolvido na produção dessa bebida tão apreciada.