Você sabe quando foi sua última vacina? Se a resposta demorou mais de três segundos, é bem provável que sua carteirinha de vacinação esteja desatualizada. E você não está sozinho. O Brasil, que já foi referência mundial em imunização — chegando a coberturas acima de 95% em diversas campanhas nas décadas de 1990 e 2000 —, vive hoje um momento de retomada após anos de queda na adesão popular às vacinas.
Em 2026, o
Ministério da Saúde lançou a nova Caderneta de Vacinação atualizada, com
ajustes em intervalos entre doses, orientações ampliadas para adolescentes e
adultos jovens, e reforço na comunicação sobre o que está disponível
gratuitamente pelo SUS. O recado é claro: vacina não é só coisa de criança, e
manter o esquema em dia é responsabilidade de toda a família, em todas as
idades.
As campanhas de 2026 que você precisa conhecer
O Ministério
da Saúde definiu três grandes estratégias nacionais de vacinação para este ano,
e ao menos duas delas já estão em curso enquanto este artigo é publicado.
A Campanha
de Vacinação contra a Influenza nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e
Sudeste — que inclui o DF — foi lançada em 28 de março e segue até 30 de maio.
É a campanha anual mais conhecida da população, mas muita gente ainda não sabe
que ela não é voltada apenas para idosos: gestantes, crianças de 6 meses a 5
anos, professores, pessoas com comorbidades, trabalhadores da saúde e outros
grupos prioritários também fazem parte da estratégia. A vacina contra gripe é
renovada anualmente porque o vírus influenza muta com frequência — e a proteção
do ano passado pode não ser suficiente para o vírus em circulação agora.
A Estratégia
de Vacinação Escolar acontece entre 1º de abril e 31 de maio. Durante esse
período, estudantes menores de 15 anos podem ter a situação vacinal verificada
e receber vacinas diretamente nas escolas — sem precisar ir até o posto de
saúde. Para os pais, é uma oportunidade valiosa de colocar a caderneta dos
filhos em dia de forma prática.
Já a
Campanha Nacional de Multivacinação, voltada a crianças e adolescentes menores
de 15 anos com esquemas vacinais incompletos ou atrasados, ocorrerá de 3 de
agosto a 1º de setembro. É a grande oportunidade do segundo semestre para
regularizar qualquer dose em atraso.
O que cada fase da vida precisa
Para os
recém-nascidos e bebês, o calendário do SUS é um dos mais completos do mundo,
incluindo vacinas contra hepatite B (logo ao nascer), BCG, rotavírus,
poliomielite, tríplice bacteriana, meningite, pneumococo, sarampo, caxumba,
rubéola, varicela, hepatite A e febre amarela, entre outras. A pontualidade nas
doses dos primeiros meses de vida é especialmente crítica, pois é nesse período
que o sistema imunológico do bebê está sendo treinado para reconhecer e
combater essas doenças.
Para
crianças em idade escolar e adolescentes, as vacinas de HPV e meningocócica
ACWY merecem atenção especial. A vacina contra o HPV, oferecida pelo SUS para
meninas e meninos de 9 a 14 anos, protege contra vírus causadores de câncer — e
ainda há muitas famílias que desconhecem que ela está disponível gratuitamente.
Para adolescentes de 15 a 19 anos sem histórico vacinal, há também a estratégia
de resgate com dose única.
Para
adultos, a recomendação principal é verificar o cartão vacinal pelo menos duas
vezes ao ano. As vacinas contra difteria e tétano (dT) precisam de reforço a
cada dez anos — ou a cada cinco em situações de risco. A febre amarela exige
dose única ao longo da vida para quem nunca tomou, mas pode ser exigida com
prazo de antecedência para viagens internacionais. E a vacina contra Covid-19,
conforme orientações atualizadas do Ministério da Saúde, segue recomendada em
reforços anuais para grupos prioritários.
Para os
idosos, a partir dos 60 anos, o calendário inclui vacinas contra influenza
(anual), pneumococo, dT, febre amarela e hepatite B, além dos reforços de
varicela para indígenas e trabalhadores da saúde. O objetivo é reduzir
internações e óbitos durante o outono e o inverno — períodos de maior
circulação viral e de maior risco para esse grupo.
Onde se vacinar em Brasília
Todas as
vacinas do calendário nacional estão disponíveis gratuitamente nas Unidades
Básicas de Saúde (UBS) do Distrito Federal, sem necessidade de agendamento para
a maioria delas. No DF, a rede de atenção primária à saúde está distribuída por
todas as regiões administrativas — de Brasília a Sobradinho, de Taguatinga a
São Sebastião. Para saber quais vacinas estão pendentes, o cidadão pode
consultar o cartão de vacinação físico ou acessar o aplicativo ConecteSUS,
disponível para Android e iOS, onde os registros vacinais são centralizados
digitalmente.
Por que isso importa para todos nós
A vacinação
não é apenas um ato individual de proteção — é um gesto coletivo. Quando uma
parcela significativa da população deixa de se vacinar, a chamada imunidade de
rebanho se enfraquece, e doenças que estavam controladas podem voltar a
circular. O sarampo, por exemplo, que havia sido eliminado do Brasil, voltou a
registrar surtos em anos recentes justamente por conta da queda na cobertura
vacinal.
Manter a
cadeirinha em dia é uma das formas mais simples, mais baratas e mais eficazes
de cuidar da saúde — da sua e de quem está ao seu redor. Em Brasília, os postos
estão abertos, as vacinas estão disponíveis e o SUS está de pé. O resto é
decisão de cada um.
Comunicação DF News
